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EPI: a última barreira entre o trabalhador e o acidente

08/07/2020

Nesse momento de emergência de saúde pública global relacionada à Covid-19, a importância da conscientização do uso de EPIs como as únicas barreiras entre os trabalhadores da saúde e a contaminação, ganhou relevância em toda sociedade em âmbito mundial, infelizmente, pela falta deles. Nos últimos 40 anos, os EPIs foram negligenciados e muitos “especialistas” os trataram como forma de as empresas atenderem a lei (a um preço barato) e não serem multadas. Externavam que esses dispositivos de proteção eram apenas paliativos, e que no fundo prejudicavam a segurança maior dos trabalhadores, chegando ao ponto de questionarem sobre a eficácia dos EPIs. Essa batalha dos especialistas contra os EPIs não foi bem sucedida, simplesmente, porque é difícil ir na contramão do conhecimento e das boas práticas mundiais de saúde e segurança do trabalho. Mesmo assim, conseguiram plantar dúvidas, impactando em decisões judiciais Brasil afora, inclusive nos tribunais superiores. Decisões que prejudicaram não somente as empresas produtoras e consumidoras, mas, principalmente, os trabalhadores. No contexto de guerra contra o novo coronavírus, sem sombra de dúvida, precisamos e devemos aplaudir os profissionais da área da saúde que enfrentam a pandemia dentro das limitações que os EPIs permitem, mas devemos aplaudir, sobretudo, todos os trabalhadores que diariamente enfrentam os riscos de acidentes e doenças no trabalho para plantar e produzir nossos alimentos, transportar cargas essenciais, continuar construindo moradias, manter a energia em funcionamento em nossas casas, e todos aqueles que atuam em atividades que permitem a todos nós viver. No Brasil, considerando somente os acidentes comunicados de trabalhadores registrados, morrem anualmente 3.000 trabalhadores, e ficam com incapacidade permanente mais de 15.000 trabalhadores. Se computarmos os acidentes do trabalho nos últimos 10 anos, faleceram mais de 30.000 trabalhadores e mais de 150 mil ficaram incapacitados para o trabalho e, na grande maioria, para manter seus dependentes. Esses dados são referentes ao registro de acidentes ocorridos por trabalhadores com carteira assinada. Um levantamento realizado, em 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou uma quantidade de acidentes sete vezes maior que os registrados. Um assunto de suma importância, mas que não gera pauta de interesse da grande imprensa, ou um aplauso de reconhecimento da sociedade a esses também heróis, que batalham no dia a dia para o país funcionar. Eles também dependem desses EPIs tão mencionados atualmente para salvá-los de possíveis acidentes. Sim, porque o EPI é a última e única barreira entre o trabalhador e o acidente, para a esmagadora maioria dos trabalhadores. E os “especialistas”? Continuam pregando para “noruegueses”, sem lembrar que estamos no Brasil. Por Revista Proteção

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